quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Saudades e lembranças

Hoje acordei com uma saudade imensa. Nem sei como explicar. Tem dias que eu simplesmente me perco na correria do dia a dia e nem consigo me lembrar das pessoas que não convivem mais comigo. Ficam na poeira do tempo. Mas hoje... Hoje algo me apertou o peito. Lembrei do que queria me lembrar e do que fiz questão de esquecer...associei lugares às pessoas, acontecimentos à pessoas, pessoas à outras pessoas.


Às vezes me pego rindo sozinha de algum episódio engraçado. Memórias deixam marcas.


Lembrei de uma época em que qualquer dois reais era muito dificil no meu bolso. Que cada moeda de 5 ou 10 centavos fazia a diferença na hora de pagar a pizza, o refrigerante e o açaí. Lembrei -me das incontáveis vezes em que preferi ir de onibus, mesmo sabendo que voltaria pra casa à pé.


Lembrei do cheiro de mato e de barro seco, do calor e de uma bicicleta num lugar distante. Lembrei do calor durante o dia, do riso e de uma multidão de quinze pessoas. Lembrei da soneca tirada após o almoço, da rede e da preguiça do domingo. Lembrei de um olhar enviezado, de um quase sorriso e de um doce de uma fruta que nunca tinha ouvido falar.


Estejam onde elas estiverem, elevo meus pensamentos de forma que elas poderão sentir, e sentirão. Meu coração vai fazer essa mensagem chegar como brisa, e elas vão se lembrar de mim num sopro, assim como eu me lembrei delas.

sábado, 27 de novembro de 2010

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Texto extraído do jornal  Folha . Peço desculpas aos leitores, pois esqueci-me de anotar o autor. Quem souber, por gentileza me informe.


 
É hora de ser carioca  -26/11/2010 - 12h08


"O Rio de Janeiro é minha segunda cidade, ali morei durante todos os anos 90, dirigindo a equipe de jornalistas que atua na sucursal desta Folha. E para lá retorno sempre que posso, para matar saudades, rever amigos e desfrutar de uma das cidades mais bonitas do mundo.
Essa vivência permitiu conhecer muitas nuances desta cidade partida entre o bem e o mal, entre os bandidos e mocinhos, entre o certo e o errado.
Nem tudo ali é tão claramente do bem ou do mal, totalmente certo ou completamente errado, tampouco os mocinhos são sempre mocinho e os bandidos os fora da lei.
Uma vez, o grande jornalista Janio de Freitas, eu recém chegado ao Rio, disse o seguinte: "Qualquer noite dessas, repara numa favela. Você vai ver que quando começa a chegar 10, 11 horas da noite, as luzes vão se apagando e à meia noite quase todas as casas estão às escuras. Sabe por quê? Porque a maioria dos moradores precisa acordar cedo no dia seguinte para trabalhar..."
Era e ainda é o óbvio de que se esquece: que a imensa maioria dos moradores das favelas é composta de trabalhadores, sem os quais a cidade "do asfalto" não funciona.
Essa proximidade e essa convivência tem suas vantagens e seus defeitos. O Rio talvez seja a cidade mais miscigenada do Brasil, se é que se pode chamar assim a mistura não apenas entre raças, mas entre pessoas de condições sociais distintas. Porém, essa convivência, ao longo dos anos, produziu também muitas excrescências, uma tolerância que deveria ser apenas do bem (entre as classes sociais distintas) tornou-se perniciosa (a tolerância ao crime).
O crime que começou pequenininho, com todo mundo achando normal ter uma banca de jogo de bicho ali ao lado, um caça níqueis no boteco da esquina, camelôs na calçada da frente de casa, flanelinhas praticamente morando no seu portão... Daí a boca-de-fumo na entrada da favela, que passou a vender o papelote de cocaína, que começou a ostentar o homem armado, que foi dominada pelo bando de outra favela, que tornou-se caso de segurança pública.
Do garoto da favela que vendia fumo chegou-se rapidamente ao "movimento" armado, violento, sem cara e sem nada a perder.
Claro que nada foi tão simples e veloz, mas aconteceu mais ou menos assim, e aconteceu sob o nariz da população, contando com sua conivência, apatia ou medo.
Portanto, neste momento em que a polícia ocupa um importante território que era dos bandidos, é hora de os cariocas se mobilizarem para reocupar os espaços que são seus. É preciso ser carioca de fato e de direito e exercer essa cidadania tão bacana e invejável, proporcionada, ainda e sempre, por uma cidade ímpar, deslumbrante, musical, acolhedora, com uma vocação inigualável para a felicidade e que tantas coisas boas já proporcionou a este país.
A cantora Claudinha Telles, em seu perfil do Facebook, conclama: "Chega de passividade Rio de Janeiro, vamos segurar o tranco, cariocada linda!".
É isso aí.
Esta não é a primeira e provavelmente não será a última vez em que o Rio tenta reagir ao crime que se instalou feito um câncer em suas colinas.
Mas algo me diz que agora é um excelente momento para se começar uma mobilização de verdade que permita ao Rio voltar a ser a cidade que aprendemos a amar. "






sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tropa de Elite- versão 3D

Após uma semana de terror ainda estou abismada. Não vejo necessidade de comentar aqui  sobre a onda de assaltos, de queima de carros, do terror que se alastrou pela cidade. Todo mundo viu no jornal, todo mundo acompanhou.
Na segunda-feira, dia 22/11, Pri e eu matamos as aulas da facu e resolvemos ir ao cinema depois do trabalho, curtir nossa preguiça. Nós duas passamos de ônibus pela av. Don Helder Camara, cada uma no seu ônibus, uns 15 minutos antes de alvejarem a cabine policial que fica ali quase em frente ao Shopping Nova América.  Confesso que não liguei muito pra notícia. Já acho até normal esse tipo de bang-bang.
Na terça, por indisposição, não fui trabalhar. Aí sim, prestei atenção na televisão e fique chocada com a audácia dos bandidos. Cara, sou moradora da zona norte, tenho medo disso não! Operação do BOPE?? Normal. Helicóptero, tiro, tátátátátá.. Normal! Mas a cidade inteira em perigo?? Que isso?! Eu só ando de busão. Corto a zona norte inteira, num trajeto que mas tem favela do que bairro! F...u!
Nem tentei ir à facu nessa semana. Passava o dia inteiro acompanhando as notícias via G1 e saía do trabalho correndo pra casa. Os bandidos estavam incendiando e assaltando nas principais vias da cidade. Por causa disso, os onibus estavam mudado os itinerários, porém a maioria já havia sido recolhida . . Meu onibus não estava passando nem perto do ponto próximo à minha casa. Andei da Catedral em Del Catilho até a minha casa, o que seria mais ou menos 30 min de caminhada. Muitas viaturas da polícia na rua, mas a sensaçao de inseguraça incomodava. Todo mundo à pé olhando pros lados esperando o pior. Fiquei o tempo todo no telefone com a minha mãe, tentando explicar pra ela a melhor forma de chegar em casa sem passar pelas áreas de ataque. Passei por dois onibus e um carro incendiados. Graças à Deus ninguem se feriu...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

De volta...

   Faz milênios que não escrevo nada aqui! Já tinha até me esquecido que tinha um blog! Pensei nisso hoje, enquanto estava "fazendo nada no trabalho" ..mas pelo amorrrr, heim? Eu trabalho, e muito! Mas tem dias que a coisa tá num maraaaasmo tão grande que dá tempo de pensar abobrinhas!  Mas voltando, eu ando sentindo uma vontade louca ( muito loooouca! ) de me comunicar! Voltei a a postar fotos no orkut, to falando horrores através do msn, to "twittando" feito louca e descobri que o blog é a maneira mais egoísta que posso arrumar de dizer o que eu quiser, sem me preocupar se alguém vai discordar! Aqui EU SOU A LEI !!!! Hehehehe.... Adorei!
   Não vou escrever nada de conteúdo político. To de saco cheio de política!! Leio jornal todos os dias, vejo TV e pra mim basta! Se quiser discutir o assunto, me convida pra um chopp ali no amarelinho, a gente reune uma galera cult e parte pro debate. Mesmo assim, de política, tô legal!!!  Nem de caráter religioso, a não ser que esteja ligado à minha busca espiritual e eu queira dividir com você. Acho que religião cada um tem a sua.. ou não tem, sei lá.
   Que fique claro que este blog é um diário de bordo. Sou eu e nada mais. Apaguei os posts anteriores ( pra quem não sabe, este blog já existia), a idéia é recomeçar.  Não se espante se nada aqui fizer sentido.  Tb não vou esmiuçar meus sentimentos, isso aqui não é divã. Mas espero poder mostrar um pouco do que se passa comigo, principalmente quando quero falar, mesmo sem ter o que dizer....